Arsenal tentou contratá-lo em 2003. Jogar nos 'gunners' ou no Barcelona é o sonho
Marat Izmailov tem uma missão na vida. Ser um grande jogador de futebol. Em prol disso sacrifica, por vezes, a vida pessoal. "É atleta que vive exclusivamente para o futebol. É pouco sociável, tirando a mulher e a filha, gosta do seu espaço. A entrega ao futebol e o espírito de sacrifício são o seu lema", confidenciou o empresário e amigo Paulo Barbosa ao DN sport.
Esta época tem ganho importância no esquema de Paulo Bento: dos 21 jogos do Sporting, participou em 17 (9 na Liga, 4 na Liga dos Campeões, um na Supertaça, um na Taça de Portugal, um na Taça da Liga e um particular com o Real Madrid) e marcou três golos (Trofense, Real Madrid e Est. Amadora). Só falhou a visita a Barcelona e a recepção ao Basileia na Champions por lesão e os jogos com o FC Porto e Benfica na Liga. O futuro passa por Alvalade (até 2013), mas o Manchester City e o PSG já perguntaram por ele.
Messi é o ídolo actual. Arsenal e Barcelona são um sonho de criança. E em 2003 quase cumpriu esse desejo. Nesse ano, o Lokomotiv fez uma boa campanha na Liga dos Campeões (ano em que o FC Porto foi campeão) e o Arsenal tentou contratá-lo. Mas os dirigentes do Lokomotiv nem quiseram conversar, pois apostavam forte na Europa. Renovou em 2005 e chegou a Alvalade em 2007.
Mariano Barreto foi contratado pelo Lokomotiv de Moscovo em 2003 para aperfeiçoar alguns talentos do clube. "Um deles era Izmailov, um dos talentos emergentes da Rússia", contou ao DN sport, explicando que a ideia era "potenciar esse talento", com alguma cultura táctica e disciplina individual. "É um jogador muito evoluído tacticamente. A relação dele com a bola é muito diferente daquela que estamos habituados a ver no futebol russo. Por vezes parece mais brasileiro do que russo. Tem uma disciplina individual. Não é um jogador exuberante, é um jogador útil, que marca e serve, que joga para a equipa, e não é invejoso. O espírito de sacrifício é o seu lema."
O tempo livre de Marat era passado no campo a treinar. "Por vezes tínhamos de o mandar embora", lembra Mariano. Em Alvalade também é assim. O russo é tão voluntarista que por vezes se prejudica em prol da equipa. Em Maio de 2008 surpreendeu o Sporting ao dizer que não ia ao Euro 2008. Os dirigentes leoninos ficaram satisfeitos, até porque se ele fosse cumpria dois anos sem férias e comprometia a época. Mas, comprometeu, isso sim, a carreira na selecção, já que dificilmente um jogador volta a ser convocado depois disso. Os adeptos não lhe perdoam, mas Danny (Zenit) acredita que a mágoa vai passar: "Izmailov é visto como um craque e que todos o admiravam. É marca da Rússia."
É ambidestro e começou por jogar na posição de número 10. "O Lokomotiv tinha o Loskov e maneira encontrada para ele jogar foi colocá-lo nas alas, já que ele jogava bem com o pé esquerdo e com o pé direito", conta o ex-técnico do russo, plenamente integrado na cultura nacional. Tem um círculo de amigos muito estreito, onde cabem apenas alguns compatriotas a viver em Portugal. No Sporting, Vukcevic é o parceiro.
in, Diário de Notícias 26/12/2008
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